Marituba promove a desinfecção de possíveis focos do coronavírus

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As ruas São João e João Marinho se transformaram em um campo de batalha, na tarde desta sexta-feira (17), na guerra travada pela Prefeitura de Marituba contra a proliferação do novo coronavírus, que já matou duas pessoas e infectou outras seis em Marituba.

As ruas foram ocupadas por uma caravana com mais de 70 agentes de saúde, enfermeiros, técnicos em epidemiologia, guardas municipais, policiais militares e outros servidores, em uma ação integrada e emergencial, para desinfectar o local, orientar moradores a permanecerem em casa e advertir comerciantes para que mantenham os pontos de venda fechados por uma semana.

A ação também serviu de alerta para todos. Aquela área, também conhecida como Pato Macho, virou um possível foco do novo coronavírus, desde que foram confirmados, nos últimos dias, quatro casos de contaminação e um óbito por Covid-19, no bairro São João, que fica na divisa de Marituba com Ananindeua, com entrada pela rodovia BR-316, e também dá acesso à Alça Viária.

A princípio, os moradores ficaram intrigados com a chegada de um pelotão de agentes usando macacões brancos descartáveis, máscaras e luvas de proteção, portando borrifadores para espargir hidroclorito nas ruas, nos pátios das casas, nos muros e calçadas. Um carro-som esclarecia o objetivo daquela ação e recomendava atitudes de precaução a todos.

Outros agentes, à paisana, mas também com equipamentos de proteção individual, conversavam com os moradores, orientavam as famílias a se proteger, verificavam se havia alguém com sintomas preocupantes nas casas e esclareciam as principais dúvidas sobre contaminação.

Comandando a caravana, o prefeito Mário Filho, junto com o secretário de Saúde Josué Pompeu e o secretário de Segurança e Mobilidade Ádamo Silva, também abordava pessoas, para recomendar que permanecessem em casa, enquanto os agentes distribuíam luvas e máscaras de proteção. Com um frasco de álcool em gel nas mãos, o prefeito procurava explicar por que somente com o distanciamento social e o fim das aglomerações será possível reduzir os riscos de contaminação no município.

Durante a caminhada, os moradores foram avisados de que o comércio daquele bairro deverá permanecer fechado durante sete dias, como estratégia de prevenção e para evitar aglomerações. Este período é considerado de alto risco, principalmente nos locais onde se constatou a ocorrência de contaminação, como é o caso daquela área.

“É uma grande ação de desinfecção, de prevenção e de esclarecimento. Vamos de casa em casa, aplicando esse  produto, a água clorada, e distribuindo equipamentos de proteção individual para que todos ajudem nessa campanha de combate ao novo coronavírus”, disse o prefeito. “É importante que todos compreendam esse momento e se ajudem. O fechamento do comércio é uma medida necessária, nessa área de risco. Vamos fazer um sacrifício para que a gente possa voltar à normalidade o mais breve possível”.

“Um dos objetivos principais é matar o vírus. A desinfecção é para isso: eliminar agentes de contaminação que estejam em suspensão no ar ou em superfícies. Nós estamos utilizando mais de 1 mil litros de água clorada, à base de hipoclorito, praticamente puro”, afirmou o secretário de Saúde. “O coronavírus não resiste a esse produto, se ele estiver no meio ambiente”, esclareceu.

“Sabemos que este é um momento de desconforto para a população. Porém, essas ações são muito importantes, para conscientizar, orientar, educar, e a nossa secretaria participa destas ações para que todos estejamos em segurança, não somente os moradores como também os servidores no exercício de suas atividades”, falou o secretário de Segurança e Mobilidade.

Nascido em Marituba e morador da rua São João há sete anos, o professor Jean Gomes reconhece o esforço da Prefeitura e da Secretaria de Saúde do município, mas lamenta que ainda há pessoas agindo na contramão da prevenção. “A secretaria tem trabalhado ostensivamente para reduzir os casos de coronavírus, principalmente aqui no bairro, com informes, carro-som, palestras, posto de saúde. Mas infelizmente a população ainda não se conscientizou da importância do isolamento social”, lamenta Jean, que também é biólogo e pesquisador da Universidade Federal do Pará. “Algumas pessoas ainda agem de forma natural, como se não houvesse uma doença de alto risco matando muita gente”.

A comerciante Francinete Leal, dona de um pequeno restaurante que agora só atende no sistema delivery, também acredita que a informação é fundamental nessa guerra contra o novo coronavírus. “As vendas aqui caíram muito, mas não tem outro jeito. A gente tem que esperar passar e fazer a nossa parte. Se todo mundo se ajudar, isso logo vai passar”, acredita.

No meio do trabalho, suando sob o macacão descartável, empunhando um borrifador e visivelmente emocionado por trás da máscara de proteção, o agente de endemias João Batista, que atua há 11 anos no combate às mais diversas infecções, fez um apelo sincero à população do município. “O nosso trabalho aqui é preventivo. Mas a melhor prevenção quem pode fazer é a população, cada morador de Marituba. As pessoas têm de se recolher aos seus lares. Ainda existe muita aglomeração. Tem gente brincando com a própria vida. A situação é muito grave e a tendência é piorar. A tendência do vírus é se alastrar. Isso só não vai acontecer se cada um assumir a sua responsabilidade e respeitar a vida das pessoas que estão ao redor. Por favor, fiquem em casa”, conclamou.

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